Meta description: Roubos cripto em 2025 somaram US$ 3,4 bi. Entenda a profissionalização dos ataques, o risco em DeFi/bridges e como se proteger em 2026, na prática.
Introdução
Quando 2025 termina com US$ 3,4 bilhões em roubos ligados a hacks e comprometimentos, a conversa deixa de ser “qual altcoin vai performar” e passa a ser “qual stack de segurança você consegue sustentar”. E o detalhe que mais pesa: uma parte relevante desses roubos é atribuída a grupos ligados à Coreia do Norte, mostrando um nível de coordenação e escala que não combina com amadorismo.
O efeito colateral para 2026 é direto: aumenta o prêmio de risco em DeFi e, especialmente, em bridges e integrações cross-chain; ao mesmo tempo, cresce a pressão por custódia qualificada, seguros, controles e governança. O próximo ciclo tende a separar “protocolo auditado” de “protocolo governável” e isso muda como você avalia risco, retorno e até sobrevivência de projetos.
Por que 2025 foi um divisor de águas em segurança cripto
Uma característica marcante do ano foi a concentração de perdas em poucos eventos muito grandes, o que aponta para um cenário de menos ataques, porém mais impactantes. Um exemplo citado amplamente em análises do período é o roubo de grande escala envolvendo uma exchange, que sozinho representou uma parcela expressiva do total anual.
Esse padrão reforça uma leitura importante para 2026: não basta perguntar “qual é a chance de eu ser atacado?”. A pergunta correta vira “qual é a minha exposição a um evento extremo e raro, mas devastador?”.
O que “profissionalização” significa na prática
Falar em ataques mais profissionais não é só dizer que “hackers ficaram melhores”. É reconhecer que o atacante agora opera como organização, com:
- Seleção de alvos por valor e fragilidade operacional (pessoas, chaves, processos), e não apenas por bug de contrato
- Cadeias de ataque que combinam engenharia social, comprometimento de fornecedores e falhas de governança interna
- Capacidade de movimentar e fragmentar ativos rapidamente, explorando rotas de liquidez e pontos de conversão
Em outras palavras, o risco deixou de ser somente “falha de código” e passou a ser “falha do sistema inteiro”: tecnologia, pessoas e processo.
Onde o prêmio de risco sobe em 2026
DeFi não é um bloco único de risco
DeFi pode ser robusto em um protocolo e frágil em outro. O prêmio de risco tende a aumentar especialmente onde há:
- Superfícies de ataque maiores (muitos contratos, muitos upgrades, integrações complexas)
- Dependência de oráculos e componentes externos
- Incentivos que atraem capital rápido, mas com governança fraca
Bridges e integrações cross-chain viram um “imã” de risco
Bridges costumam concentrar valor travado e adicionar camadas de complexidade operacional. Mesmo quando o contrato é auditado, o risco pode estar em:
- Chaves administrativas e processos de upgrade
- Validadores, multisigs e controles de emergência
- Dependência de poucas entidades ou infraestrutura centralizada
O resultado é simples: em 2026, o mercado tende a precificar mais caro o que parece “simples e verificável” e exigir desconto maior do que é “complexo e difícil de governar”.
O próximo ciclo separa “auditado” de “governável”
Auditoria é fotografia. Governança é filme.
Um protocolo pode ser auditado e ainda assim ser ingovernável em crise. “Governável” significa que, quando algo sai do normal, o sistema consegue responder com previsibilidade, transparência e limites de dano.
Sinais de um protocolo governável
- Permissões claras e minimizadas (o mínimo de chaves e poderes necessários)
- Controles de mudança (timelocks, janelas de aviso, trilha de decisões)
- Mecanismos de contenção (circuit breakers, pausas bem definidas, limites de saque)
- Plano de resposta a incidentes (papéis, comunicação e ações pré-planejadas)
- Observabilidade e monitoramento contínuo (alertas, detecção e reação rápida)
Em 2026, a qualidade da governança tende a pesar tanto quanto a qualidade do código.
O que investidores e usuários podem fazer para reduzir risco
Cripto continua sendo um ambiente de alto risco. A meta realista não é “zerar risco”, e sim reduzir a chance de um erro fatal e diminuir o impacto caso algo aconteça.
Para o investidor pessoa física
- Trate custódia como decisão central: onde ficam as chaves e como você recupera acesso
- Evite concentrações desnecessárias: não deixe tudo em um único lugar, protocolo ou carteira
- Desconfie de urgência e atalhos: grande parte do dano nasce de cliques e permissões
- Use práticas operacionais simples: testes com valores pequenos, checagem dupla de endereço e permissões
Para quem opera com mais volume (trader, mesa, empresa)
- Priorize custódia com controles: segregação, políticas de aprovação e registro de ações
- Estabeleça limites operacionais: alçadas, whitelists de endereço, janelas de saque
- Monitore exposição a bridges e integrações: onde está a fragilidade “não óbvia”
- Documente governança interna: quem aprova, como aprova, e como responde a incidente
Isso não é glamour. É sobrevivência.
O que projetos e plataformas precisam reforçar em 2026
Se o ataque está mais profissional, a defesa precisa evoluir do “checklist” para a engenharia de risco contínua:
- Segurança como processo: auditorias recorrentes, revisão de upgrades e mudanças
- Programas de incentivo: bug bounties e monitoramento em produção
- Gestão de chaves madura: cerimônias, MPC/HSM quando fizer sentido, e poderes mínimos
- Governança com freios: timelocks, transparência e mecanismos de contenção
- Redução de complexidade: menos componentes críticos e menos dependências frágeis
A lógica é simples: quanto maior o valor custodiado, maior precisa ser a maturidade operacional.
FAQ
O que significa “roubos cripto em 2025 somaram US$ 3,4 bilhões”?
Significa que perdas por hacks e comprometimentos chegaram a cerca de US$ 3,4 bi no ano, segundo relatórios de monitoramento do setor.
Por que grupos ligados à Coreia do Norte aparecem tanto nesses relatórios?
Porque análises apontam participação relevante de grupos atribuídos ao país em roubos de grande escala, elevando o nível de coordenação e impacto dos ataques.
DeFi é mais arriscado do que comprar cripto em corretora?
Depende. Em DeFi você assume riscos adicionais de contrato, integrações e governança. Em corretoras, o risco costuma estar mais ligado a custódia e segurança operacional da plataforma. Em ambos os casos, há risco real de perda.
O que é mais perigoso: protocolo “auditado” ou “governável”?
Auditoria é importante, mas governança decide o que acontece quando algo dá errado. Um protocolo pode ser auditado e ainda assim não ter mecanismos claros de contenção e resposta.
Como reduzir risco em bridges e integrações cross-chain?
Evite exposição desnecessária, limite valores, prefira estruturas com controles transparentes e mecanismos de contenção, e trate bridges como pontos de risco elevado dentro do portfólio.
Conclusão
O fechamento de 2025 com roubos bilionários e ataques mais “profissionais” reforça uma mudança estrutural para 2026: segurança deixa de ser um detalhe e vira um componente do valuation tanto do protocolo quanto da sua estratégia pessoal. E o mercado tende a exigir mais do que “auditado”: vai cobrar “governável”.



