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Reino Unido propõe endurecer regras para emissores de stablecoin e custodians no regime de executivos responsáveis

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Consulta no Reino Unido propõe classificar emissores de stablecoin e custodians como “Enhanced”, elevando governança e custos de compliance.

Introdução

A regulação cripto no Reino Unido entra em uma fase mais exigente e mais madura. Uma consulta pública propõe endurecer a classificação de emissores de stablecoin e empresas de custódia dentro do regime de executivos responsáveis, enquadrando parte desses players como “Enhanced”. Na prática, isso eleva o padrão de governança, controles internos e responsabilização individual de executivos. O recado é claro: quem opera infraestrutura financeira crítica precisa ser tratado como tal.

O que a consulta propõe

A proposta revisa como emissores de stablecoin e custodians cripto são enquadrados no regime britânico de responsabilidade executiva. Ao definir critérios para a categoria Enhanced, o regulador busca aplicar exigências mais rigorosas a empresas cujo risco operacional, impacto sistêmico ou base de clientes justifique supervisão reforçada.

Entre os pontos centrais estão:

  • Critérios objetivos para classificação “Enhanced”
  • Reforço de governança e controles internos
  • Maior responsabilização de executivos-chave
  • Expectativas mais altas de gestão de risco e compliance

O que significa ser classificado como “Enhanced”

Governança no nível de instituições críticas

Empresas classificadas como “Enhanced” passam a operar sob um padrão próximo ao de instituições financeiras de maior relevância. Isso inclui estruturas formais de tomada de decisão, documentação robusta e processos claros de escalonamento de riscos.

Responsabilidade pessoal ampliada

O regime reforça a accountability individual: executivos responsáveis por áreas críticas precisam demonstrar controle efetivo, sob pena de sanções pessoais em caso de falhas.

Por que stablecoins e custódia entraram no foco

Stablecoins como infraestrutura financeira

Stablecoins deixaram de ser apenas um instrumento cripto e passaram a atuar como trilhos de pagamento, reserva de valor e base de liquidação. Isso eleva o potencial impacto de falhas operacionais ou de governança.

Custódia é o ponto mais sensível

A custódia de ativos digitais concentra riscos de:

  • Perda e segregação inadequada
  • Falhas operacionais
  • Dependência de terceiros
  • Incidentes de segurança

Por isso, reguladores tendem a exigir padrões mais altos nesse segmento.

O papel do regulador britânico

A consulta é conduzida sob a órbita da Financial Conduct Authority, que vem estruturando um arcabouço mais claro e progressivo para criptoativos. O foco é integrar o setor ao regime financeiro tradicional sem abrir mão de inovação desde que acompanhada de controles adequados.

Impacto direto para empresas cripto

Aumento do custo de compliance

A classificação “Enhanced” implica:

  • Mais investimentos em compliance e auditoria
  • Estruturas jurídicas e de governança mais complexas
  • Relatórios e controles adicionais
  • Maior custo operacional recorrente

Vantagem para players mais estruturados

Empresas maiores, capitalizadas e com governança madura tendem a absorver melhor essas exigências, enquanto players menores podem enfrentar dificuldades ou optar por parcerias/consolidação.

O que muda para o mercado

Padronização e previsibilidade

Regras mais claras reduzem zonas cinzentas e ajudam o mercado a operar com maior previsibilidade — mesmo que a um custo maior.

Menos espaço para improviso

Modelos de negócio com governança frouxa ou dependentes de atalhos operacionais tendem a perder espaço.

O que essa proposta não significa

É importante esclarecer:

  • Não é uma proibição de stablecoins ou custódia cripto
  • Não elimina inovação no setor
  • Não se aplica automaticamente a todos os players
  • Não garante tratamento uniforme entre jurisdições

Trata-se de calibragem regulatória, não de repressão.

Riscos e pontos de atenção

Apesar dos benefícios, há desafios:

  • Risco de concentração de mercado
  • Barreiras mais altas à entrada
  • Custos repassados aos usuários
  • Necessidade de adaptação rápida a novos padrões

O equilíbrio entre segurança e competição será crucial.

O que observar a seguir

Para avaliar o impacto real, vale acompanhar:

  • Texto final após a consulta
  • Critérios objetivos de enquadramento
  • Prazos de transição
  • Reação de emissores e custodians

Esses fatores dirão se o regime será proporcional.

Perguntas frequentes sobre a consulta no Reino Unido

Todas as empresas serão “Enhanced”

Não. A classificação depende de critérios específicos.

Stablecoins ficam proibidas

Não. O foco é governança e controles.

Executivos assumem mais risco pessoal

Sim, a responsabilização individual aumenta.

Isso encarece operar no UK

Provavelmente, especialmente para custodians.

O mercado perde competitividade

Ganha previsibilidade, mas pode concentrar players.

Conclusão

A proposta do Reino Unido de endurecer a classificação de emissores de stablecoin e custodians no regime de executivos responsáveis marca mais um passo na institucionalização do cripto. Ao elevar exigências de governança e responsabilização, o país sinaliza que ativos digitais já são parte relevante da infraestrutura financeira e devem operar sob padrões equivalentes.

Para empresas, o recado é adaptação e profissionalização. Para o mercado, a consequência é um ambiente mais previsível, ainda que mais caro. Em 2026, compliance deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico e quem estiver preparado sai na frente.

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