ETFs de fatores (factor investing) voltam a ficar populares quando o investidor percebe que “o índice puro” nem sempre captura o que ele quer: às vezes busca mais qualidade, mais valor, mais momentum — ou uma rotação sistemática entre esses estilos.
Uma evidência importante (e útil para iniciante) é que fatores tendem a passar por ciclos de outperformance e underperformance. Um paper da MSCI reforça exatamente isso: fatores têm “ciclicidade pronunciada” e podem alternar períodos de liderança e de frustração.
Antes de decidir, entenda: o maior erro não é usar fator — é usar como se fosse “sempre vencedor”.
Por que ETFs de fatores voltam a ser usados em 2026
1) Depois de concentração em poucos nomes, o mercado busca outras “fontes” de retorno
Quando um estilo domina por muito tempo (ex.: qualidade/momentum puxados por big tech), cresce o interesse por diversificação de estilo.
2) Produtos e estratégias ficaram mais acessíveis
Hoje há desde fatores “puros” até fundos que fazem rotação entre fatores. Isso virou pauta grande, inclusive em veículos populares de mercado.
3) Melhor linguagem de risco: “qual risco dominante eu quero?”
Fatores ajudam a nomear risco: value, quality, momentum, low vol etc.
Agora vem o ponto crucial: por que o iniciante erra ao misturar fatores.
O erro comum: misturar fatores sem entender o ciclo de cada um
1) “Mix de fatores” pode virar sobreposição sem intenção
Você compra value + quality + momentum, mas sem saber:
- qual pesa mais
- quando tende a funcionar
- quando tende a frustrar
2) Fatores podem andar em direções opostas por longos períodos
O paper da MSCI aponta que diferentes fatores lideraram em diferentes fases e que a ciclicidade é parte do jogo.
Ou seja: você precisa aguentar o “inverno” do fator.
3) Momentum não é “compra alta, vende baixa”
Momentum tem evidências e aplicações, mas também tem “ride” e risco de reversão. Materiais educacionais reforçam que momentum tende a funcionar melhor como complemento e que fatores diferentes podem se equilibrar.
Como escolher ETFs de fatores de forma prática (iniciante)
1) Escolha 1 fator para começar (não 4)
Começar simples evita a carteira virar um “Frankenstein” difícil de manter.
2) Defina o papel do fator
- complemento do core (satélite)
- tentativa de reduzir concentração
- perfil defensivo (quality/low vol) vs agressivo (momentum/small/value em certos ciclos)
3) Evite expectativas irreais
Fator não é promessa. É um viés sistemático com custos e ciclos.
4) Se usar rotação de fatores, entenda o método
Alguns fundos usam modelos para alternar fatores — isso pode funcionar bem em alguns regimes e mal em outros.
FAQ (rich snippet)
Como começar a investir em ETFs de fatores?
Comece com 1 fator como satélite, entenda sua tese e aceite ciclos de underperformance.
ETFs de fatores funcionam sempre?
Não. Fatores passam por ciclos claros de liderança e de frustração.
Vale a pena misturar vários fatores?
Pode valer, mas só se você entender o objetivo de cada fator e como eles interagem no ciclo.
Quais são os riscos de factor investing?
Underperformance prolongada, concentração não percebida e expectativa errada do investidor.
Conclusão
ETFs de fatores voltam ao centro porque ajudam a diversificar estilo e reduzir dependência de um único tipo de mercado. Mas o iniciante precisa jogar o jogo certo: escolher simples, entender ciclos e manter disciplina.



